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Pasku Made in Porto Feliz

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Pasku Made in Porto Feliz

Entrevista concedida à Revista BEMPORTO em julho de 2014, edição 02.
Por Nilson Araujo | Fotos: arquivo pessoal do entrevistado

Fazer tudo que sempre quis e ser feliz, sem se importar com o que os outros pensam. É dessa forma que muitas pessoas procuram viver suas vidas, entre elas, o porto-felicense Wagner Coli, mais conhecido como Pasku.
Filho mais velho de Eunice e Atílio Coli e irmão de Luciana Coli, Pasku desde criança mostrou que tinha uma personalidade forte e gostava de ser diferente.  Prova disso, são as mais de 80 tatuagens que fez e o seu estilo retrô de viver a vida. 
Nesta entrevista, Pasku fala sobre sua família, sua relação com Porto Feliz e conta um pouco de sua experiência pelo mundo afora.

Você é gente de quem?
Sou neto de Vasco Coli e Violeta Salen Coli, donos da Casa dos Presentes, localizado na Praça da Matriz que, posteriormente, se tornou Jovel. Sou filho de Eunice e Atílio Coli e irmão de Luciana Coli. A família Coli teve fundamental contribuição no desenvolvimento de Porto Feliz. Foi dona de muitas terras onde, hoje, são bairros importantes da cidade.


Família Coli no Carnaval de 1987

Conte-nos um pouco sobre sua infância e adolescência em Porto Feliz.
Tive uma infância maravilhosa. Sou do tempo das brincadeiras de ruas e esconde-esconde na Gruta. Minha adolescência foi regada de muitos amigos e bailes no Clube Recreativo. Tenho boas lembranças deste tempo. A gente aprontava muito, como quando amarrei o carro do meu primo em uma barraca da Festa de Agosto. Quando ele saiu com o carro, a barraca foi junto (risos). Quando era criança meu sonho era ser piloto da aeronáutica.

Como surgiu o apelido Pasku?
Foi na época do colegial. Jogava basquete em Sorocaba e, num dos jogos, o pessoal me pegou no banheiro e fez ‘pasku’ em mim, que significa passar pasta de dente no fiofó da pessoa. Fiquei muito bravo, até chorei. Meus amigos de Porto Feliz descobriram a história e passaram a me chamar de Pasku. Minha mãe, toda protetora que era, ia até a casa deles, comprando minhas dores, dizer que meu nome não era Pasku. Adivinha? Hoje, poucos me conhecem como Wagner (risos).

Foi aí que nasceu a figura do Pasku?
Foi um tempo difícil para mim. Logo após, Deus levou minha mãe. Nós éramos muito unidos, fiquei meio sem rumo. Eu tinha 20 anos e ainda era o menino dela. Nossa relação era muito próxima, vivemos intensamente e, infelizmente, ela se foi muito cedo.  Enxuguei as lágrimas e fui morar em Boituva, para não ficar vivendo aqui, onde tudo me lembrava ela. Depois, me casei e desta união nasceu minha primeira filha, a Nayani. Minha esposa já tinha uma filha, a qual adotei com muito amor. Nesta época, eu tinha um posto de gasolina na cidade. Foi quando comecei a gostar de carros antigos, Harley Davison e tatuagens. Depois me separei e voltei para Porto Feliz.

E como foi retornar ao passado, onde você deixou suas lembranças?
Às vezes, me culpo por não ter ficado. Deixei minha irmã com meu pai. Ela tinha apenas 16 anos quando saí de casa. Logo que minha mãe faleceu, meu pai se casou novamente. Algumas coisas não aceitei, mas sempre o respeitei. Depois disso, caí no mundo. Morei em Boituva, Iperó, São Paulo, Carapicuiba, Rio de Janeiro, Cachoeira do Itapemirim, Las Vegas e Los Angeles. Atualmente, moro em Campinas, onde temos uma loja de coturnos personalizados.

Como era sua relação com seu pai?
Amava o meu pai. Ele nunca gostou do meu estilão, das minhas tatuagens. E, por respeitá-lo tanto, toda vez eu vestia manga comprida para que, nas visitas que fazia, ele não visse meus braços tatuados. Meu pai era muito preocupado com o que os outros pensavam sobre meu jeito de ser. Amei muito meus pais, o quanto pude amar e hoje toco a vida de cabeça erguida por acreditar que, mesmo dando algumas cabeçadas, sempre tive a intenção de acertar e fazer o certo. 

E sua irmã?
A Lu é a minha mãezona. Houve um período em que eu pegava no pé dela com relação a muitas coisas. Por vezes, tento ser um pai para ela, mas meio sem sucesso... (risos). Temos nossos altos e baixos, como todo irmão tem, mas somos o único elo que restou da nossa família e isso nós preservamos e muito. Apesar de ela não ter o mesmo pique que eu,  sempre falei pra ela sair um pouco, deixar o passado e conhecer o mundão, mas cada um tem sua vida e isso nós respeitamos um no outro. Nunca dei nenhum esporro por nenhuma atitude dela, sempre falo que ela tem que viver mesmo, e sei que ela pensa o mesmo sobre mim. Como não amá-la por isso?


Luciana Coli é três anos mais nova que Pasku

E hoje, como é o Pasku?
Sou uma pessoa de extremos, sempre me dediquei a tudo de corpo e alma e todas as fases da minha vida foram ótimas, bem aproveitadas. Conheci muitos estilos de vida, até me identifiquei com alguns, mas o que mais tem a ver comigo é o bom e velho Rock’n Roll. Às vezes, radical em minhas atitudes, mas muito fiel. A única coisa que abomino e não aceito é a traição. Do resto, sou um grande coração mole, tanto que não revido mágoa alguma de amigos, guardo-as comigo e as deixo em algum canto qualquer, porque sei que isso não nos leva a nada. O melhor da vida é sorrir para ela, que ela sorri de volta para gente.

Você é um cara viajado. Quantos países já conheceu?
A primeira vez que saí do país foi quando criança, numa viagem ao Paraguai com meu pai. Amei viajar. Levei isso para a idade adulta e não parei mais. Já conheci o Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, México e os Estados Unidos. Neste último, morei por algum tempo. 

Como é ser um brasileiro lá fora?
É incrível. As pessoas te respeitam e querem saber mais sobre este fascinante país chamado Brasil. Uma coisa que me identifiquei muito quando morei nos Estados Unidos foi a liberdade de expressão. Lá, as pessoas vivem da forma que querem, cada qual com seu estilo e ninguém cuida da vida de ninguém. Isso fortaleceu meu gosto pelo retrô e coisas antigas.

Do que sentiu falta?
Sentia falta dos grandes amigos e também do tempero caseiro da nossa terrinha.

Suas tatuagens têm algum significado?
Sobre as tatuagens, apenas tive vontade de fazer, sem nenhum significado. Tomei gosto e não parei mais. Hoje, coleciono mais de 80 tatuagens no corpo todo. A meu ver, elas representam a liberdade de expressão que tanto sigo.

Alguma história curiosa nestas idas e vindas, pelo mundo a fora?
Meu pai estava fazendo um tour pela Europa e ao pegar um táxi com seu amigo, notou umas Harley Davison que passou por eles, então comentou: “Se Pasku estivesse aqui, pediria para parar o carro e iria com eles de moto”. O taxista, por sua vez, perguntou ao meu pai se ele havia dito ‘PASKU’. Ao que meu pai respondeu que sim, ele insistiu: “Pasku, de Porto Feliz, que tem um posto de gasolina em Boituva?” E meu pai respondeu: “Sim, ele mesmo!” O taxista, no fim da corrida, desceu do carro e deu um abraço no meu pai, dizendo que era para mim e não cobrou a corrida.


Pasku e os filhos

Como resume tudo isso, Pasku?
Sempre gostei de viajar bastante e sou fissurado em grandes aventuras. Gosto de cultivar amizades e cuidar das melhores. Nestas viagens que a vida me proporcionou, me casei pela primeira vez e tive a minha primeira filha, a Nayani. Depois me separei e, num relacionamento com uma ex-namorada, tive as gêmeas Maria Clara e Maria Rita. Mais uma vez, nas voltas da vida, lá estava eu separado novamente, quando conheci a Carol e me apaixonei. Hoje, formamos uma linda família. Ela me deu o meu primeiro filho homem, o herdeiro do legado e o último dos Coli, o Joe. Isso é maravilhoso. Só tenho a agradecer.


Pasku e a esposa Carol

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